O Grupo Casas Bahia anunciou na noite deste domingo (16) que entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida ocorre após a companhia fechar cerca de 298 lojas em diferentes regiões do país, número que representa quase 30% das pouco mais de mil unidades que estavam em funcionamento.
Em Campos dos Goytacazes, a unidade da Casas Bahia localizada no Shopping Partage também encerrou as atividades. Clientes que foram ao estabelecimento encontraram as portas fechadas e um cartaz informando sobre o fechamento da loja.

Segundo informações divulgadas pelo Valor Econômico, o pedido de recuperação judicial faz parte de um plano de reestruturação e redução de despesas da companhia. A medida envolve a própria Casas Bahia e outras nove empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças e renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas.
A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite que empresas em dificuldades financeiras renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça. O objetivo é evitar a falência, preservar empregos e possibilitar a continuidade das atividades enquanto a companhia busca recuperar o equilíbrio financeiro.
De acordo com a Casas Bahia, a decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. O pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em processos de falência e recuperação judicial.
Nova tentativa de reorganização financeira
Esta não é a primeira tentativa da Casas Bahia de reorganizar suas contas. Em 2024, a companhia realizou uma recuperação extrajudicial, quando renegociou aproximadamente R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras.
Na ocasião, a empresa apostava que a renegociação, aliada à redução dos custos financeiros e à retomada do consumo, seria suficiente para melhorar sua situação financeira.
Segundo a própria companhia, porém, o cenário econômico continuou pressionando as operações. Entre os fatores citados estão os juros elevados, a restrição ao crédito, o aumento das despesas financeiras e a redução do consumo.
A empresa também informou que não conseguiu concluir algumas operações de captação de recursos consideradas importantes para reforçar o caixa.
Em comunicado divulgado ao mercado, a Casas Bahia afirmou que, diante do cenário de liquidez restrita, o pedido de recuperação judicial é necessário para avançar na reestruturação financeira, preservar a continuidade das atividades e buscar uma solução organizada para suas dívidas.
Apesar do pedido, a companhia informou que pretende manter o funcionamento das lojas físicas, do comércio eletrônico e dos demais canais de vendas, sem interrupções relevantes para os consumidores.
Como o pedido foi apresentado em caráter de urgência, ainda será necessária a ratificação pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária.
Empresas incluídas no pedido
Além da Casas Bahia, o pedido de recuperação judicial envolve outras empresas do grupo, entre elas a ASAP Log – Logística e Soluções Ltda., ASAP Log Ltda., CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística Ltda., Cntlog Express Logística e Transporte Ltda., Globex Administração e Serviços Ltda., Cnova Comércio Eletrônico S.A., Integra Soluções para Varejo Digital Ltda., Casas Bahia Tecnologia Ltda. e Indústria de Móveis Bartira Ltda.
Prejuízo de R$ 10,1 bilhões
O pedido de recuperação judicial foi anunciado um dia após a divulgação do balanço financeiro referente ao segundo trimestre de 2026.
A companhia registrou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões entre abril e junho deste ano. Segundo a Casas Bahia, aproximadamente R$ 9,1 bilhões desse resultado estão relacionados a ajustes contábeis extraordinários e despesas ligadas ao processo de reestruturação, sem impacto imediato no caixa.
Entre os fatores que contribuíram para o resultado estão a redução do valor de créditos tributários que a empresa esperava utilizar futuramente, reservas para possíveis disputas e obrigações contratuais, reavaliação de ativos, como lojas e outros bens, além de despesas relacionadas ao processo de reorganização financeira.
A companhia agora busca, por meio da recuperação judicial, renegociar suas obrigações e reorganizar a estrutura financeira para continuar operando no mercado.










