Alexandre de Moraes vota para tornar réus Rodrigo Bacellar, TH Joias e desembargador do TRF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou para tornar réus o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) Rodrigo Bacellar, o ex-deputado estadual TH Joias e o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto em uma investigação sobre o suposto vazamento de informações sigilosas de uma operação contra o Comando Vermelho.

Os três estão presos. Moraes também votou pelo recebimento da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Jéssica de Oliveira Santos, esposa de TH Joias, e Thárcio Nascimento Salgado, apontado pela investigação como suspeito de lavar dinheiro do tráfico na comunidade de Senador Camará, na Zona Oeste do Rio.

Moraes é o relator do caso e foi o primeiro ministro a apresentar voto. O julgamento acontece no plenário virtual da Primeira Turma do STF e está previsto para terminar no dia 21 de agosto. Para que os cinco denunciados se tornem réus, é necessário que a maioria dos cinco ministros da turma acompanhe o relator.

Acusações

Além da acusação de obstrução de investigação de organização criminosa armada, Moraes votou para que Macário responda também por violação de sigilo funcional. Já Thárcio foi denunciado por favorecimento pessoal.

Segundo a denúncia da PGR, o grupo teria atuado entre os dias 2 e 3 de setembro de 2025 para obter e repassar informações sigilosas relacionadas à Operação Zargun.

De acordo com a acusação, o vazamento teria permitido que TH Joias, que à época era deputado estadual e um dos principais alvos da operação, retirasse objetos de sua residência antes da chegada dos policiais para o cumprimento das medidas judiciais.

Segundo Moraes, os denunciados teriam atuado para obter e repassar informações protegidas por sigilo sobre medidas que seriam realizadas contra integrantes do Comando Vermelho. Com isso, materiais de interesse da investigação teriam sido retirados dos locais que seriam alvo das buscas.

Ainda segundo a PGR, o desembargador Macário Ramos Júdice Neto teria violado o sigilo funcional ao repassar informações sobre operações policiais que estavam sendo preparadas. A Procuradoria afirma que ele sabia quando e como as ações seriam realizadas e mantinha uma relação de amizade com Rodrigo Bacellar, com quem teria se encontrado pessoalmente.

A PGR também sustenta que Bacellar e TH Joias teriam utilizado os cargos públicos que ocupavam para dificultar investigações relacionadas à organização criminosa.

O que dizem as defesas

A defesa de Macário Ramos Júdice Neto afirmou ter recebido a denúncia com surpresa e classificou a acusação como baseada em “ilações e conjecturas”. Os advogados disseram confiar no Poder Judiciário e afirmaram que o desembargador provará sua inocência durante o processo.

A defesa de Rodrigo Bacellar também contestou a denúncia. Em nota, afirmou que a acusação é baseada em “ilações e narrativas repetidamente refutadas” e sustentou que não há provas que relacionem o deputado aos fatos investigados.

Os advogados também alegaram que medidas cautelares teriam sido realizadas contra os responsáveis pelos vazamentos, o que, segundo a defesa, demonstraria a inocência de Bacellar.

O g1 informou que tenta contato com as defesas dos demais denunciados.

Fonte: G1

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