Itaperuna, no Noroeste Fluminense, lidera o ranking do Estado do Rio de Janeiro em taxa de mortes violentas intencionais entre os municípios com mais de 100 mil habitantes. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O município registrou 47,5 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes, ocupando também a 17ª posição no ranking nacional. No Sul Fluminense, Barra Mansa aparece em segundo lugar no estado, com taxa de 37,4. Campos dos Goytacazes ocupa a 16ª colocação, com 21,2 mortes por 100 mil habitantes.
O levantamento considera como mortes violentas intencionais a soma dos casos de homicídio doloso, feminicídio, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenção policial, tanto em serviço quanto fora dele.
Em todo o Brasil, foram registradas 44.127 mortes violentas intencionais em 2024, o equivalente a uma taxa de 20,8 por 100 mil habitantes, representando uma redução de 5,4% em relação ao ano anterior. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, trata-se da menor taxa desde 2012.
Ranking das cidades do Rio com mais de 100 mil habitantes
As maiores taxas de mortes violentas intencionais no estado foram registradas nos seguintes municípios:
- Itaperuna — 47,5
- Barra Mansa — 37,4
- Japeri — 35,2
- Duque de Caxias — 31,9
- São João de Meriti — 31,3
- Cabo Frio — 31,0
- Itaguaí — 30,6
- Araruama — 29,7
- Nova Iguaçu — 29,6
- Belford Roxo — 28,4
- São Pedro da Aldeia — 27,1
- Resende — 23,2
- Queimados — 22,8
- Rio de Janeiro — 22,7
- Angra dos Reis — 21,8
- Campos dos Goytacazes — 21,2
- Itaboraí — 20,4
- Volta Redonda — 18,6
- Magé — 16,4
- Nilópolis — 16,1
- Mesquita — 14,5
- Rio das Ostras — 14,2
- Teresópolis — 13,6
- São Gonçalo — 12,4
- Niterói — 11,6
- Maricá — 10,8
- Macaé — 8,7
- Nova Friburgo — 8,4
- Petrópolis — 7,5
Caso que chocou Itaperuna
Entre os episódios que marcaram o município está o caso do adolescente de 14 anos que confessou ter assassinado os pais e o irmão de três anos dentro da residência da família, em julho do ano passado.
Segundo a investigação da 143ª Delegacia de Polícia (Itaperuna), o crime foi planejado em conjunto com a namorada virtual, de 15 anos, moradora de Mato Grosso do Sul. De acordo com a Polícia Civil, os dois trocaram mensagens detalhando a ordem dos assassinatos, os métodos que seriam utilizados e formas de ocultar os corpos para dificultar as investigações.
As investigações apontaram que o adolescente matou os pais enquanto dormiam utilizando a arma do próprio pai e, em seguida, assassinou o irmão de três anos. Conforme o delegado Carlos Augusto Guimarães da Silva, o jovem envolveu a arma em uma fronha para evitar deixar impressões digitais e chegou a enviar uma fotografia das vítimas para a namorada após o crime.
A polícia também apurou que ele pesquisou como sacar o FGTS do pai e pretendia utilizar o dinheiro para viajar ao Mato Grosso do Sul e encontrar a adolescente.
Outro crime de grande repercussão ocorreu meses antes, quando Wilson Simplício Aguiar, de 33 anos, foi executado a tiros em plena Avenida Cardoso Moreira, no Centro de Itaperuna. Câmeras de segurança registraram o momento em que dois homens em uma motocicleta se aproximaram da vítima e efetuaram diversos disparos.
Rio vai na contramão do país em outros indicadores
Além das mortes violentas, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostra que o Estado do Rio de Janeiro apresentou piora em outros indicadores de criminalidade, contrariando a tendência nacional.
O Rio foi um dos dois únicos estados brasileiros, ao lado da Paraíba, a registrar aumento nos casos de furto e roubo de celulares. Foram 72.187 ocorrências, contra 58.813 no ano anterior, uma alta de 22,7%, enquanto a média nacional apresentou queda de 9%.
O estado também figurou entre os dois únicos do país, ao lado do Acre, com crescimento nos roubos a estabelecimentos comerciais. Os registros passaram de 1.551 para 1.868 casos, um aumento de 20,4%, enquanto, nacionalmente, houve redução de 18,3%.
Já os roubos a transeuntes tiveram queda de 10,7% no Rio, passando de 30.870 para 27.583 ocorrências. Apesar da redução, foi o menor recuo entre todas as unidades da federação. No Brasil, a queda média foi de 23,4%. Em São Paulo, por exemplo, os registros diminuíram 21,4%, passando de 29.936 para 23.578 casos.











