A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (7), a sexta fase da Operação Unha e Carne, ampliando as investigações sobre uma suposta organização criminosa responsável por movimentar R$ 7,6 bilhões em um esquema de lavagem de dinheiro no Estado do Rio de Janeiro.
Nesta etapa, a investigação concentra-se em uma rede de postos de combustíveis que, segundo a Polícia Federal, teria sido utilizada para ocultar recursos de origem ilícita. A apuração também investiga a participação de empresários, policiais e agentes políticos no esquema.
Ao todo, estão sendo cumpridos 19 mandados de busca e apreensão em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital fluminense. A Justiça ainda determinou o bloqueio de bens e valores e a suspensão das atividades de empresas ligadas aos investigados.
Ex-prefeito, delegado e miliciano estão entre os alvos
Entre os principais alvos da operação está o ex-prefeito de Belford Roxo e presidente estadual do União Brasil, Márcio Canella, que deixou o cargo neste ano para disputar uma vaga no Senado Federal. Ele foi conduzido por agentes da Polícia Federal até a Superintendência Regional da corporação para prestar esclarecimentos.
Também é investigado o delegado Marcus Vinícius Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil. Segundo a PF, outros policiais civis da ativa também são alvo das investigações.
Outro nome que aparece entre os investigados é o ex-policial militar Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura, citado pela CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro como chefe de um grupo paramilitar que atuava em Nova Iguaçu. Ele foi condenado em 2009 por homicídio e associação criminosa.
A operação também teve como alvo o inspetor da Polícia Civil Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo. Conforme a investigação, ele seria o verdadeiro controlador de uma rede de postos de combustíveis registrada em nome de terceiros. Mais de 80 empresas, entre ativas e inativas, estariam ligadas a familiares do policial.
Durante o cumprimento dos mandados, agentes apreenderam armas, dinheiro em espécie, joias e carros de luxo em um imóvel localizado em Niterói.
Investigação começou após alerta do Coaf
As investigações tiveram início após um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontar movimentações consideradas incompatíveis com a atividade econômica das empresas investigadas.
De acordo com a Polícia Federal, o grupo movimentou aproximadamente R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.
Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e outros delitos que forem identificados durante o andamento das investigações.
A ação integra as determinações do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que determinou à Polícia Federal a apuração de possíveis vínculos entre agentes públicos e organizações criminosas no Estado do Rio de Janeiro.
Empresário do setor de combustíveis já havia sido alvo
Na quinta fase da Operação Unha e Carne, realizada na última semana, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca contra o empresário Fernando Trabach Gomes, proprietário de uma rede de postos de combustíveis.
As investigações apontam que empresas ligadas ao empresário abasteceram grande parte da frota utilizada durante a campanha de reeleição do então governador Cláudio Castro, em 2022. Após a eleição, empresas do grupo passaram a firmar contratos com o Governo do Estado.
Os investigadores também apuram a relação de Trabach com o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, um dos principais investigados da operação.
Operação começou investigando vazamento para o Comando Vermelho
A Operação Unha e Carne foi deflagrada em dezembro de 2025 para investigar o suposto vazamento de informações sigilosas sobre operações policiais contra integrantes do Comando Vermelho (CV).
Segundo a Polícia Federal, o compartilhamento dessas informações teria comprometido ações policiais e beneficiado integrantes da facção criminosa.
Com o avanço das investigações, a operação revelou uma suposta estrutura de proteção ao crime organizado envolvendo agentes públicos, empresários e políticos, além de suspeitas de corrupção, fraudes em contratos públicos e lavagem de dinheiro.
Relembre as principais fases da Operação Unha e Carne
1ª fase (dezembro de 2025): teve como principal alvo o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, acusado de vazar informações sigilosas da Operação Zargun para beneficiar investigados ligados ao Comando Vermelho.
2ª fase (dezembro de 2025): a investigação chegou ao desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, suspeito de repassar informações sigilosas a Rodrigo Bacellar.
3ª fase (março de 2026): Rodrigo Bacellar voltou a ser preso após a cassação de seu mandato e denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontou uma suposta rede de proteção institucional ao crime organizado.
4ª fase (maio de 2026): o deputado estadual Thiago Rangel foi preso por suspeita de comandar um esquema de fraudes em contratos da Secretaria Estadual de Educação, com direcionamento de licitações e lavagem de dinheiro.
5ª fase (julho de 2026): a Polícia Federal prendeu o pastor Márcio Poncio, investigado por ligação com a chamada Máfia do Cigarro. Também foram alvos o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho (Adilsinho) e novamente Rodrigo Bacellar. Nessa etapa, planilhas apreendidas indicaram possíveis pagamentos, doações eleitorais e movimentações financeiras atribuídas ao grupo investigado.
6ª fase (julho de 2026): a investigação passou a concentrar esforços em um suposto esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 7,6 bilhões por meio de uma rede de postos de combustíveis. Entre os alvos estão Márcio Canella, Marcus Amim, Juracy Alves Prudêncio (Jura), Pablo Russo e empresários do setor.
Com informações do G1









