Alexandre de Moraes manda soltar Márcio Canella, mas impõe tornozeleira eletrônica e outras restrições

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou nesta sexta-feira (10) a soltura do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, preso em flagrante na última terça-feira (7) durante uma operação da Polícia Federal (PF). O político, que é pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, foi detido após agentes encontrarem um fuzil calibre .556 no veículo em que estava.

Apesar de autorizar a liberdade, Alexandre de Moraes impôs uma série de medidas cautelares. Canella deverá usar tornozeleira eletrônica, entregar o passaporte, terá o porte de arma suspenso e responderá ao processo em liberdade enquanto as investigações prosseguem.

Durante o depoimento, o ex-prefeito afirmou que o armamento pertencia ao policial militar responsável por sua segurança. Na decisão, Moraes destacou que essa versão ainda precisará ser esclarecida ao longo da investigação.

Prisão ocorreu durante operação da Polícia Federal

Márcio Canella era alvo de um mandado de busca e apreensão na sexta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma rede de postos de combustíveis no Grande Rio.

Segundo a PF, o grupo investigado teria movimentado aproximadamente R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. A investigação teve início após um relatório de inteligência financeira elaborado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontou movimentações consideradas atípicas.

Além dos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, os investigados também poderão responder por contratação direta ilegal e outros delitos que possam ser identificados durante o andamento das apurações.

A operação faz parte das investigações determinadas pelo STF no âmbito da ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”, que prevê a apuração de possíveis relações entre agentes públicos e organizações criminosas.

Quem é Márcio Canella

Márcio Canella iniciou a carreira política como vereador de Belford Roxo, eleito em 2012. Em seguida, foi eleito deputado estadual, cargo que ocupou por três mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Entre 2017 e 2019, licenciou-se do mandato parlamentar para exercer o cargo de vice-prefeito de Belford Roxo na gestão de Waguinho. A aliança política entre os dois foi rompida após as eleições presidenciais de 2022, quando Canella apoiou o ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto Waguinho declarou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em 2024, Canella venceu a eleição para prefeito de Belford Roxo. Já em abril deste ano, renunciou ao cargo para disputar uma vaga no Senado Federal. A administração municipal passou a ser comandada pela então vice-prefeita Mariana Malta.

Balanço da operação

Durante o cumprimento de 19 mandados de busca e apreensão em municípios da Região Metropolitana e do interior do Rio de Janeiro, a Polícia Federal apreendeu:

  • Cerca de R$ 919 mil e US$ 13 mil em espécie;
  • Um fuzil de calibre restrito;
  • Nove armas curtas, entre pistolas e revólveres;
  • Sete computadores;
  • Vinte e três aparelhos celulares;
  • Onze veículos de luxo;
  • Joias e relógios de alto valor;
  • Diversos documentos.

A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados, além da suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado.

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